NA NOVA DANÇA DO ASTRAL, O SEU SIGNO MUDOU

É UMA VARIAÇÃO DE APENAS 50 SEGUNDOS POR ANO. MAS, POR CAUSA DESSE QUASE NADA ACUMULADO HÁ SÉCULOS E SÉCULOS, O MEU, O SEU, O NOSSO SIGNO HOJE PODE SER OUTRO.

Reportagem de Marie Claire, Revista Manchete, 1987

A astrologia e a astronomia, as constelações e signos do Zodíaco têm uma única origem. A astrologia é a história da relação das influências celestes entre os planetas, as estrelas e todas as matérias vivas. Um signo do Zodíaco é um conjunto de estrelas. O Sol, fundamento do indivíduo, como centro do nosso sistema, um lugar essencial para o homem. Eis por que sua posição neste ou naquele ponto, dentro de tal ou qual constelação do Zodíaco, faz com que sejamos de um ou de outro signo. Assim, o Sol transmite a influência das estrelas da constelação em que se acha no instante do nascimento.

As constelações do Zodíaco são doze grupos de estrelas, doze regiões do céu que constituem uma realidade. Quem não viu essas estrelas numa bela noite de verão?

Os signos do Zodíaco são doze divisões, doze setores criados e registrados pelo ho mem para a órbitra anual do Sol em relação às estrelas. Essa órbita, que é como uma fita em volta da nossa Terra, tem, evidentemente, um ponto de partida e um ponto de chegada.

Ao nascer a astrologia, essa faixa, determinada pelos antigos, percorrida pelo Sol e marcada pelos doze signos “decalcados” sobre as doze constelações zodiacais, começa a zero grau da constelação de Áries, que corresponde ao ponto do equinócio da primavera.

Mas esse ponto de partida é móvel em relação às constelações que servem de pano fixo. Assim, o Sol, na sua trajetória aparente, chega cada ano 50 segundos mais cedo ao fim de sua rota. Em 72 anos, o ponto do equinócio da primavera terá avançado um grau. Em 2.160 anos, aproximadamente, o “avanço” do Sol corresponderá a 30 graus, portanto a um signo de deslocamento em precessão, isto é em recuo. O deslocamento tem o mesmo efeito sobre a escala dos signos do Zodíaco. Em 1987 corresponde a cerca de 23 graus. É preciso, imprescindivelmente, levar em conta esse fenômeno a fim de deduzir em que signo do Zodíaco se achava o Sol no instante do nascimento de uma pessoa. Existe um bonito nome para designar esse deslocamento: AYANAMSA (Ayana=equinócio; Amsa= medida).

Os signos do zodíaco não foram criados para corresponder, eternamente, às estações da Terra, e sim aos quatro tempos do homem: infância, juventude, idade adulta e velhice.

No decorrer dos primeiros séculos, o esquecimento desse deslocamento e portanto o erro — cometido por motivos complexos ligados à história e à filosofia das ciências — não foi dramático, pois a sua proporção era ainda ínfima. Mas já no século 17 ele passou a ser enorme e hoje o Sol de cada um, em dois casos entre três, não está mais no signo que foi imposto à pessoa, visto que corresponderá a uma região já esvaziada das estrelas da constelação cujo nome leva. O Sol, de cada pessoa, em dois casos entree três, terá o nome do signo prescedente.

No Ocidente, a astrologia separou-se da astronomia e de suas origens: as estrelas passaram a ser não mais do que símbolos. Em todo o resto do mundo, sabe-se que não levar em conta a Ayanamsa é contrário ao bom senso, à tradição e à ciência.

Martine Saint Genès.

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