Seu
aparecimento, deu-se às 10 horas da manhã, numa
terça-feira, sob o signo de
Leão (Simha em sânscrito), com ascendente em
Escorpião. Simha
(Leão) é regido pelo Planeta
Sol (Suryaloka). O sol é intitulado o atma-karaka,
o planeta
indicador da alma. Quando o sol é proeminente num mapa astral e
outras combinações
o favorecem, a pessoa busca a auto-realização e assuntos
relacionados à alma. No
momento de seu nascimento, o mapa mostra também que Marte se
encontrava na
oitava casa, no signo de Gêmeos, causando Kujadosha,
aquilo que afeta a
harmonia doméstica e conjugal, um forte indício de que a
vida familiar mundana
não seria auspiciosa de modo algum na vida do
recém-nascido, o que acabou mais
tarde se confirmando, ao optar pela vida renunciada.
Filho
primogênito de pais
pobres, de instrução modesta e católicos
funcionais (não praticantes). Teve uma
infância simples e seus folguedos se limitavam às
atividades com irmãs, primos
e meninos da sua vizinhança com
brinquedos feitos de latas vazias, rodas de carrinhos e rolamentos
descartados
pelas oficinas mecânicas das redondezas. Desde cedo se mostrou
interessado pela busca do Supremo ao tornar-se o único
católico praticante da
família após sua primeira comunhão.
Em sua adolescência, nos
conturbados anos 60, descobriu a “India” através dos livros de Swami
Ramakrishna, Swami Shivananda, Swami Vivkananda e Paramahamsa Yogananda
entre outros, que adquirira em sebos para aplacar sua sede de leitura e
da
busca de conhecimento espiritual. Nessa mesma época,
eventualmente frequentava a sede da Sociedade Ananda Marga e Brahma
Kumaris. Na sociedade Ananda Marga deu seus primeiros passos
no
aprendizado da Hatta-Yoga; mas tarde ampliou seus estudos e
alcançou as seguintes qualificações: Yoga
Siromani
(professor de yoga) e
Yoga
Praveena (excelência na área de yoga)
Ainda nos efervescentes anos 60,
numa dessas
lojas de livros usados encontrou uma brochura em inglês relatando
os
ensinamentos de Srila Bon Maharaj, apresentados em
uma de suas
viagens
à Europa. Ele
foi o primeiro sannyasi de Srila
Bhaktisiddhanta Saraswati
Prabhupada
a pregar no ocidente como representante
da Índia
védica. Ficou
impressionado com a
fotografia daquele santo vaishnava, cuja imagem com
sua tilaka
bem desenhada na testa, jamais sairia de sua memória. Com
conhecimento de
inglês precário e muita consulta ao dicionário,
percebeu naquele pequeno
livreto uma mensagem singular sobre Sri Krishna, a
suprema
personalidade
divina, diferente
de tudo que até
então
havia lido, e que de forma indelével
tocou seu coração.
Habitualmente
lia com muita
avidez tudo sobre a Índia e ficava fascinado com as fotos
daqueles yogis e
santos que apareciam nas ilustrações de livros e
revistas. À partir dessa época
colocou em sua cabeça de jovem adolescente e sonhador que queria
ser um
daqueles monjes com vestes de cor açafroadas que costumava
apreciar nas suas
leituras.
Nos fins dos anos
60 início
dos anos 70, trabalhando numa empresa de comércio exterior e
estudando a noite,
caiu em suas mãos um exemplar da revista Newsweek Magazine onde
um título
chamou sua atenção: The Year of Guru, “O Ano do Guru”.
Na visão
materialista e tacanha da revista essa “invasão” de mestres da
Índia era vista
apenas como “business” Era
uma
reportagem sobre os gurus da Índia que viviam e
pregavam nos
Estados Unidos naquela época. E
lá estava de novo a maravilhosa e
inesquecível tílaka na testa de um dos mais
notáveis vaishnavas
que o mundo contemporâneo viria a conhecer: Srila A. C.
Bhaktivedanta Swami
Prabhupada, o
fundador e
proeminente acharya do movimento para a consciência
de Krishna.
Leu
e releu
incontáveis
vezes aquele artigo, descartando o relato correspondente aos outros
dois swamis,
mas fascinado com a pregação de Srila Prabhupada
e de sua explicação
simples mas convincente de como obter grandes realizações
espirituais e elevar
seu nível de consciência apenas recitando o maha
mantra Hare Krishna.
Mostrou o artigo para um
amigo, também muito interessado na filosofia oriental vinda da
Índia, e juntos
planejaram ir aos Estados Unidos para se encontrar com Srila
Prabhupada
e tentar serem aceitos como seus discípulos. Com muitas
dificuldades obtiveram
os seus passaportes, mas não conseguiram o visto para entrar nos
Estados
Unidos, que dificultava muito as coisas para os jovens aventureiros, a
fim de
evitar emigração indesejável para eles. Alguns anos mais tarde
soube que o santo da consciência de Krishna iria à
Venezuela, mas estava
passando por algumas dificuldades financeiras e não pode mais
uma vez ter com Srila
Prabhupada porque a passagem de avião do extremo Sul do
Brasil à Caracas
era tão cara quanto uma passagem à Londres ou Paris.
Fim
dos anos 70 inicio dos
anos 80, finalmente o Movimento Hare Krishna chega
ao Brasil e
começa a
frequentar o templo. Primeiramente em São Paulo, quando para
lá foi passar uns
tempos com alguns parentes e posteriormente em Porto Alegre, mas Srila
Prabhupada já havia abandonado o planeta. Durante uns doze
ou treze anos
frequentou o templo, sempre como devoto externo, com eventuais estadas
em
fins-de-semanas junto com os devotos residentes.
Continuou sempre muito
fascinado pela filosofia vaishnava, devorando e
estudando
cuidadosamente
todos os livros impressos pela sociedade criada por Srila
Prabhupada,
mas resistente à idéia de render-se a um dos
inúmeros gurus ocidentais que não
seduziam seu coração.
No início
dos anos 90,
bastante amargurado com os problemas que afetavam a sociedade oficial,
tomou
conhecimento de um outro grande santo vaishnava, Srila
Sridhar
Maharaj,
irmão espiritual de Srila Prabhupada e passa a
conhecê-lo através de
seus maravilhosos livros, porém ele, como Srila Prabhupada, já havia também abandonado o corpo e
não se
encontrava mais fisicamente entre nós, a não ser
através de suas nectárias
instruções. Em seguida conhece Srila
Govinda Maharaj, Presidente e acharya sucessor
de Srila
Sridhar
Maharaj na Sri Chaitanya Sarasvati Math,
mosteiro de Navadwip,
West
Bengal – India e dele toma harinama-diksa e
posteriormente
brahmana-diksa e passa a ser conhecido como Nityadas
Das Brahmachari.
Durante
5 ou 6 anos presta
serviço ao mosteiro fundado por Sridhar Maharaj, de
quem
devora todas as
instruções. Paralelamente, conhece o trabalho de Srila
Narayana Maharaj e
passa a traduzir e colocar os nectários ensinamentos desse outro
santo num
forum de discussão de temas vaishnavas [forum que
ajudou
a fundar em
meados dos anos 90]. Impressionado
com as
instruções desse santo vaishnava, perito no siddhanta
e nas
lilas divinas, passa a aceitá-lo no seu
coração como seu shastra-guru.
Desde o início dos anos 90
leva uma vida de vanaprastha, retirado da lida
familiar, onde
foi casado
por apenas um ano e não teve filhos, e, por essa mesma
época, abandona as
atividades profissionais regulares para se dedicar integralmente a
pregação, na
Srila Sridhar Govinda Sangha, que fundara em Porto
Alegre para
servir a
missão criada por Srila Sridhar Maharaj na Índia,
o mosteiro Sri Chaitanya
Sarasvati Math, presidida por seu siksa-guru,
Srila
Govinda
Maharaj.
Visando incrementar sua
pregação, aceita a
ordem de
vida
renunciada, recebendo a tridanda vaishnava de seu
irmão
espiritual Sripad
Bhakti Shoban Padmanabha Maharaj, que por motivos pessoais se
encontrava
afastado da
posição de representante de Srila Govinda Maharaj
no Brasil. A
cerimônia foi realizada
em Porto Alegre,
no dia 7 de março de 2004, dia
do
sagrado Gaura Purnima, aparecimento de Sri
Chaitanya
Mahaprabhu. Como sannyasi segue
sua
pregação conectado pelo
afeto, uma conexão de
coração, com Srila Prabhupada, Srila Sridhar Maharaj e
Srila Narayana
Maharaj, aos quais silenciosamente presta suas reverências
diárias e roga
pelas suas bençãos, sem ligação a nenhuma
instituição indiana em particular.
Pode
alguém questionar sob o sannyasi de Sripad
Bhakti
Srirupa Radhanti Maharaj,
sob a
alegação que ele aceitou o ashram de
renunciante de um irmão espiritual e não de seu guru ou
de algum guru
ligado a uma instituição vaishnava
da Índia. Para refutar esse possível
questionamento, lembramos que aceitar a ordem de vida
renunciada de outro sannyasi é válido, normal,
bastante comum e
universalmente aceito como cerimônia vaishnava legítima
e
fidedigna, até
mesmo se o concessor
da tridanda
desafortunadamente venha no futuro a decair da sua
posição exaltada. Há vários exemplos que podem
ser relatados, senão vejamos: Srila Prabhupada
aceitou seu sannyasi de
seu irmão
espiritual Kesava Maharaj.
Kesava
Maharaj também aceitou sua tridanda de seu irmão
espiritual Srila
Sridhar Maharaj. B.
V.
Tirtha Maharaj (Kunja Babu),
aceitou sannyasi de seu irmão espiritual
B. V. Ashram Maharaj.
B. K. Sramam Maharaj recebeu sua tridanda
de seu
irmão
espiritual Tirtha Maharaj. Houve em torno de 40
discípulos de Srila
Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur que tomaram sannyasi
de
um irmão
espiritual, de acordo com informações da Vrndavan
Organization of Chaitanya Math. Srila Bhaktisiddhanta aceitou a ordem renunciada de
forma
mística numa
cerimônia realizada
por ele mesmo, diante do quadro de Srila Gaura Kishora Das
Babaji,
que já
havia abandonado o planeta.
Entre os discípulos
de Srila
Bhaktivedanta Swami Prabhupada esta prática leva a um
número ainda muito
maior de sannyasis que receberam sua tridanda
vaishnava
de outro
irmão espiritual.
Sripad
Bhakti Srirupa
Radhanti Maharaj,
mantém programas
regulares em Porto Alegre e em outras cidades do Rio Grande do Sul,
onde se
estudam as escrituras, os ensinamentos dos acharyas
mencionados
como
seus gurudevas de coração, muitos bhajans,
nama-hattas e
distribuição de prasada,
num trabalho ininterrupto desde 1993.
Viaja frequentemente pelo
Brasil para pregar e se associar com outros vaishnavas
e
é muito
solicitado por
diversos grupos espiritualistas do Rio Grande do Sul, para fazer conferências e
palestras sobre temas
védicos
e vaishnava.
No ano de 2006, funda o Sri
Krishna Chaitanya Mahaprabhu Ashram, um apoio institucional,
como
um respaldo para levar os
ensinamentos de Mahaprabhu
aqueles que o procuram, um seva que
dedica a todos os seus
instrutores, aos vaishnavas
e
amigos que o incentivam e inspiram, principalmente
em consideração a uma instrução de Srila
Sridhar Maharaj a todos
os seus seguidores: “levar
o trabalho
de alívio aos ocidentais.”
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"Não
está na linhagem transcendental que qualquer um possa fazer
outra pessoa
um guru. É possível que se houver alguém muito
qualificado Gurudeva eleja-o e
diga, "Depois de mim você será o meu sucessor". Isto
é uma linhagem.
A linhagem mais essencial e proeminente, entretanto, é aquela em
que qualquer
um servindo totalmente Gurudeva, pregando tanto em sua linhagem
após a sua
partida, fazendo seu Gurudeva muito proeminente, seja o sucessor. Ele
irá
pregar a mesma linhagem. Prabhupada Bhaktisiddhanta Saraswati Thakura
nunca
disse a meu Gurudeva, "Você deve ser meu sucessor". Nunca. Mas
ele se
tornou seu sucessor como fez Srila Svami Maharaja.
Meu Gurudeva (Srila
Keshava
Maharaj) nunca me nomeou; ainda assim eu me tornei e
estou pregando em todo o mundo e muitos estão me aceitando.
Então, isso depende
de qualidade. Srila Prabhupada não foi feito por ninguém
e ele se tornou
proeminente em todo o mundo. Ramanuja não foi feito um acarya.
Você conhece
Ramanuja? Ele próprio tomou sannyasa e Madhvacarya também
fez assim. Ele não recebeu sannyasa de ninguém.
Então, nós devemos seguir este pensamento. Quem fez Srila
Sukadeva Gosvami um acarya? Sri Vyasadeva nunca disse, 'Você
é meu sucessor'.
Krishna arranjará
para que
aqueles que praticam bhakti sejam acaryas. Srila Svamiji conhecia quais
eram as qualificações deles – que eles podiam cair, que
podiam ter lhe dado veneno ou tantas outras coisas.
Então, ele nunca declarou
qualquer um como seu sucessor."
(Srila Narayana Maharaj -
extraído de www.purebhakti.com)
Gaura Premanande!